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"Não subestime o desprezo absoluto das pessoas. Tornar-se um pária não é fácil. As pessoas acreditam que o diabo é Satan. Ignoram que o mundo é muito mais antigo que o cristianismo. Tudo para essas pessoas ignorantes é coisa do “diabo”. E julgam, recriminam e segregam. Ainda que isso seja um pecado diante de Deus. Porém, estranhamente é exatamente esse comportamento hipócrita e preconceituoso que a Igreja incentiva. É tudo tão absurdo. E afinal o que são os pecados? É uma maneira de controle do ser humano, de condená-lo, de inserir culpa pelos seus desejos naturais, de submetê-lo, de castrar seus pensamentos. É tudo tão ridículo."

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O Satanista e o Intelectual

Escrito por Recanto do Opositor

Quando pensamos o indivíduo sob uma concepção Satanista, naturalmente somos inclinados a reconhecê-lo não como mais um, mas como um, destacado, diferente. E claro, há diversas formas de se elevar. Há pessoas que optam por mostrarem seus corpos diante das telas. Há pessoas que conseguem com escândalos um curto período de fama para saciar suas egolatrias. Há ainda os que montam igrejas e ficam ricos. E há os Satanistas.

Longe, mas muito longe de mim, querer determinar qualquer caminho a ser seguido, ou ainda colocar um em função dos outros. Definitivamente não, isto nada tem a ver com o pensamento Satanista. Mas como alguém que optou por se manifestar, por escrever, por tornar públicas suas idéias, venho agora sugerir algumas coisas...

O nosso caro Peter Gilmore, em seu "As Escrituras Satânicas", nos diz que para ser considerado um verdadeiro Satanista, não é preciso ser X ou Y, mas sim ser reconhecido por atuar de forma excepcional na área escolhida. Ou seja, o Satanista não é o padeiro ou o leiteiro, mas sim será um dos melhores padeiros ou um dos melhores leiteiros. Neste ponto, não há nada o que se contestar.

Mas como disse, estou aqui para propor certos caminhos. E desta vez venho falar um pouco sobre ser um intelectual.

Por trás desta palavrinha há uma grande carga semântica, que vai além de sua significação original. Quando pensamos nela, logo nos vem a imagem de um velho, de roupas formais, sentado à sua mesa com uma estante de livros no fundo. Inerte, sem graça, sem ação, sem vida.

É claro que não estamos falando de um surfista, de um rock-star ou de uma celebridade do YouTube. Mas o que então seria o intelectual?

Muitas respostas estão por aí, basta procurar, mas para este pequeno texto, cabe simplesmente dizer que é aquele que através de seu pensamento, de sua reflexão e de suas idéias faz sua observação do mundo e através destas, de alguma forma, o transforma. Ou não. Isto, pois há uma certa discussão sobre qual de fato é o papel social que deve ser exercido por um intelectual. Há os que defendam que esta ação é imprescindível para qualificar aquele que vê o mundo através do conhecimento, do intelecto. E há aqueles que simplesmente se mantém inertes a tudo o que ocorre a seu redor do alto de suas cátedras, num plano metafísico de erudição. Sem pretender ir muito adiante, penso que é extremamente produtivo valer-se do saber para agir e melhorar o que está ao nosso redor.

Mas o que realmente importa para nós agora é o intelectual em si, deixemos suas ações (ou ausência destas) de lado. E então vocês me perguntam, qual então a graça de se tornar um?

A graça está, nada mais nada menos, que no pensar. Trata-se de fazer do pensamento a "ferramenta de trabalho". E isto, a partir de leituras, diálogos, reflexão, produção. Trata-se de se dedicar não simplesmente a utilizar nosso querido cérebro para resolver problemas do dia a dia e entender o que é, superficialmente, bom ou ruim para nós. É possível ir muito além. É possível compreender o que está por trás do funcionamento dos sistemas. Significa desde entender como funciona aquele boneco robô do seu filho, como reconhecer todas as ideologias presentes em um discurso político que estão num nível muito mais profundo que o das palavras. Significa questionar-se sobre o que se faz no mundo, os porquês, os "comos", e mais do que isso, buscar soluções para problemas cujas causas não são visíveis a todos.

E de que forma seguir este caminho? Através de bons livros, de bons filmes, de boas obras de arte, de boas músicas. Bom gosto é para poucos, definitivamente. Mas mais do que uma pompa elitista, tudo isto desenvolve nosso pensamento, aguça nossos sentidos, nos evolui enquanto seres pensantes. E para chegar a tal, é preciso treinar desde cedo. Já no ensino médio, por exemplo, já precisamos ter desenvolvido gosto pela leitura, pelo pensar diferente, pelo espírito crítico. E em seguida, preferencialmente, seguir rumo a um dos poucos locais onde podemos de fato, ainda que não da forma ideal, trabalharmos com o conhecimento: a academia, ou universidade, como queiram.

É óbvio que trata-se de um Vítor totalmente parcial que lhes fala, por fazer parte deste meio. Naturalmente não digo que não haja pensamento fora de tais limites, de forma alguma. Mas reconheço sua qualidade, e posso garantir que, ao menos nas poucas instituições de respeito que em muito distam das faculdades de esquina de cursos de 2 anos que vemos por aí, há um mundo de saber para o qual o primeiro passo é dado justamente por conta de bons professores de boas universidades. Também nada contra os autodidatas, mas um diálogo é sempre mais proveitoso.

Tudo isto que lhes digo, caro leitores, é apenas uma recomendação: usem seus cérebros! Sei que muitos dos que estão lendo estas palavras são adolescentes e ainda se encontram numa fase de transição, na qual estão a determinar seus futuros. E não custa nada lhes ajudar. Portanto, não se esqueçam que possuímos uma coisinha muito legal chamada pensamento, e com ele podemos ir além. Diante de um desenvolvimento informacional massivo, cuja tendência é a homogeneização dos indivíduos, não se pode simplesmente manter-se em silêncio, por mais que o que eu esteja a dizer pareça óbvio para muitos.

E não adianta, queiramos ou não o Satanismo de alguma forma nos leva a este caminho. O simples fato de sermos Satanista já traz a priori um nível mínimo de espírito crítico. E para desenvolvê-lo para níveis mais avançados, é pensamento, leitura, reflexão. Eis a direção. Pega a estrada quem quiser.

Pelo que você deseja ser reconhecido? Por sua bunda nas telas de TV ao som de um funk ao fundo? Por sua capacidade ímpar de aparafusar (Carlitos que o diga!)? Ou por suas idéias, suas produções, seus estudos?

Cada um que faça sua escolha...!

6 Comments

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    Comment by William

    Legal cara. Acho que estou começando a entender o conrado sobre todos já saberm de seus assuntos... Mas pelomenos você deixou isso claro no texto :)
    Ajudou a manter meu conhecimento sobre satanismo em movimento...

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    Comment by Vítor Vieira

    O que é esperado para uns, não é para outros. Simples. E é como eu digo, cada qual com sua visão. Satanismo já deixou de ser novidade para mim a muito tempo, e nem por isso deixa de me agradar diferentes visões sobre o assunto, ainda que o objeto de análise em si já seja de meu conhecimento.

    Poderia simplesmente ler a BS e não precisar de mais nada. Não teria o blog, não leria os textos do Tadeo, do Gilmore, de LaVey, da APS...

    E ora, a quem não agradar o que escrevo, que simplesmente não leia! Estou aqui para quem quiser ouvir-me. Quem não quiser...

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    Comment by Madame Morte

    O pensamento é a chave de 20% das portas.Os outros 80%, você abre com dinheiro ou com a bunda.Pensar a coisa certa talvez seja o lance.Mas qual a coisa certa?Sistemas são falhos.Cérebros também.Ultimamente tenho me sentido obsoleto e aleijado, encontro dificuldade nas coisas mais simples.Talvez só goste de complicar.Talvez eu seja mestre na arte de não entender ou deturpar.Ou talvez eu apenas pense demais.E melhor que pensar, é agir.Claro, pensando em como agir antes.

    ¬¬

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    Comment by Vítor Vieira

    Naturalmente, não se trata simplesmente de pensar, mas sim de pensar e agir. Ou seja, colocar o espírito crítico e a reflexão antes das ações.

    É fato que hoje em dia há muitos outros caminhos para "se dar bem na vida". E é justamente por conta desses caminhos que não o pensar que nosso mundo se encontra como está. É óbvio que com muita coisa boa, mas também com uma infinidade de coisas ruins. Criamos ferramentas mas não sabemos usá-las, criamos formas de entretenimento para que esqueçamos das dominações diárias, etc. etc. etc....

    E é justamente de discursos que retomem o pensar e a formação tanto intelectual quanto acadêmica que se precisa. Por isto, não me cansarei de dizer um óbvio que de tão comum chega a não ser percebido ou realizado.

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    Comment by Tadeo

    ...
    Não gostei.
    Farei um texto-répica,me aguarde.

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    Comment by Vítor Vieira

    Imaginei. Só no aguardo. Que o Recanto vire palco de comentários ácidos, agressões pessoais e discursos tendenciosos!