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"Não subestime o desprezo absoluto das pessoas. Tornar-se um pária não é fácil. As pessoas acreditam que o diabo é Satan. Ignoram que o mundo é muito mais antigo que o cristianismo. Tudo para essas pessoas ignorantes é coisa do “diabo”. E julgam, recriminam e segregam. Ainda que isso seja um pecado diante de Deus. Porém, estranhamente é exatamente esse comportamento hipócrita e preconceituoso que a Igreja incentiva. É tudo tão absurdo. E afinal o que são os pecados? É uma maneira de controle do ser humano, de condená-lo, de inserir culpa pelos seus desejos naturais, de submetê-lo, de castrar seus pensamentos. É tudo tão ridículo."

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Vingança Satanista - Parte 2: da indiferença

Escrito por Recanto do Opositor

Qual o motivo do excessivo valor à vingança dado por LaVey? Seria ela de fato a melhor forma de agir diante de uma determinada situação? Estaríamos nós tão cercados de inimigos a ponto de precisarmos de uma proposta dogmática de revide?

Tentando responder a algumas destas questões, chegamos à parte 2 do texto sobre vingança. Tenho por fim agora tentar deixar um pouco de lado toda a atmosfera de "guerra contra todos" presente na Bíblia Satânica, para não somente ver a realidade de uma outra forma, como também para propor ainda outro tipo de postura para quando sofrermos algum tipo de agressão proposital.

O primeiro ponto a se considerar diz respeito à forma como o conceito da vingança é explorado. Trata-se de algo dentro da Bíblia Satânica de grande importância, figurando até mesmo em uma das 9 declarações. Tal exaltação nos leva a ver que LaVey talvez esperasse para seus leitores um ambiente cercado de inimigos e malfeitores. Como se estivéssemos sendo alvos a todo o momento de ações má-intencionadas de terceiros. Ou seja, pressupunha-se um contexto tal de conflitos que fosse necessário ser a vingança até mesmo objeto de dogma.

O que é curioso... Por mais que existam pessoas que nasceram pra fazer filha-da-putagem com os outros, este tipo de contexto soa-me um tanto quanto exagerado. E o que de certa forma acaba por tecer mais alguns pontos no manto negro que veste o Satanismo. Estaríamos nós realmente cercados de tantas pessoas que desejam o nosso mal? Penso que não. Um digno Satanista não se tornaria facilmente um alvo, muito menos seria tolo o suficiente para se colocar em um ninho de cobras. É necessário então não que se valorize o remédio, a ação que se toma após ter sofrido algo, mas sim que justamente se evite sofrê-lo! Isto não é algo novo, mas parece que LaVey pretendeu dar mais valor à punição que à prevenção. A não ser no que diz respeito aos vampiros psíquicos, estes sim possuem um manual de como evitá-los... Mas e os outros tipo de pessoas? Isto pareceu ficar de lado...

É claro que apesar disto, sempre haverá algum engraçadinho, ou alguém que realmente queira nos fazer mal mesmo, e que inevitavelmente vai acabar cruzando nosso caminho. E para tal eis a opção: indiferença.

Quando não há possibilidades para se evitar determinado evento, há somente dois caminhos. Ignorá-lo, ou levar adiante algum tipo de revide. No texto anterior, verificamos que o perdão em si já traz algo deste "esquecimento", no sentido em que nada será feito para reparar o dano sofrido. Mas ora, e quando não houver dano sofrido?

Parece lógico compreender que uma vez não havendo qualquer agravo, não há necessidade de uma resposta. Entretanto, não é tão simples nos lembrarmos que em boa parte dos casos o nível de perda que poderemos ter é definido em grande parte por nós mesmos!

Para muitas pessoas, principalmente para aquelas que partem de outros pensamentos de outras religiões, a forma como nos dedicamos às coisas do mundo faz toda a diferença. E isto é um pensamento completamente válido para o Satanismo. Ora, não seria mais útil desenvolvermos a capacidade de nos tornarmos resistentes aos infortúnios? É muito mais válido sermos capazes de nos tornarmos uma fortaleza de pedra sem que as flechas inimigas nos acertem, do que simplesmente montar barracas e lançar infantaria à guerra!

Toda a realidade ao nosso redor passa pelo filtro mental que é o nosso pensamento e só depende de nós conceder mais ou menos valor aos eventos de nossa vida. Sendo assim, constitui-se a indiferença como a mais alta forma de defesa e de oposição àquilo que se coloca contra nós. Não se trata mais de travar confrontos com inimigos, mas de sequer reconhecê-los. Trata-se de não conceder qualquer importância àqueles que ainda que sofram pelas nossa resposta, coloquem-se no papel de vítimas, dando assim início a uma peleja que muito de ruim tem a trazer.

Estamos a falar de um trabalho de desprendimento que requer prática, reflexão, e toda a forma de exercício. O contexto de vingança parece algo um tanto quanto caricato: "eu e meu inimigo", quando na realidade não é tão simples culpar X ou Y por uma dor sofrida. As relações são muito mais complexas, e na grande maioria dos casos, a verdadeira maneira de sair por cima é, nada mais nada menos, senão ignorar. Desta forma, aquele que porventura realmente queira lhe afetar negativamente, ao perceber que seus esforços de nada servem, com certeza vai esquecê-lo. Quando um não quer, dois não brigam, já dizia o dito popular.

Não se trata do perdão religiosamente correto, trata-se de neutralizar um incômodo que não se deve permitir nascer. É muito comum nos colocarmos sempre no papel de vítima para em seguida nos clamarmos como justiceiros ou vingadores, quando na verdade teríamos aproveitado melhor nosso tempo se tivéssemos simplesmente não concedido qualquer valor ao que não merecia qualquer valor.

Este é o tipo de ensinamento que serve para qualquer circunstância. Deve-se lembrar também que como boa parte dos ensinamentos Satanistas, estamos a brincar com fogo, e o tolo que não se queima, pode acabar ao menos fazendo xixi na cama... Refiro-me aos perigos de optar por deixar de lado injúrias ou qualquer coisa que esteja encaminhado ao indivíduo.

O primeiro é o mesmo risco que se tinha quando falávamos do perdão. Não podemos dar margem para novas ações contra nós, e quem as faz precisa ter plena noção disto. Para tal, ou tenta se compreender os motivos pelo qual estão a agir contra você para então solucionar o problema de modo a não gerar mais conflitos; ou, como já dito, mantém-se firme e inabalável para mostrar que nada está lhe afetando, até que cessem as tentativas de injúria; ou ainda, em casos mais extremos onde não haja a necessidade de solução pacífica, partir para medidas mais extremas. Mas ora, até que se chegue a tal ponto, pressupõe-se que já teríamos cometido um grande erro ao permitir que assim fosse. Não há vingança que se compare à satisfação de não se ter inimigos.

Em segundo lugar, ao tornar-se indiferente a tudo e todos, por conta de tal filtragem é possível que se acabe deixando de lado o que não deveria. Se é um erro concedermos valor a coisas que não o merecem, o contrário também o é. O que só reafirma a necessidade de cautela no que diz respeito aos nosso julgamentos de válido e não válido, para não desperdiçarmos aquilo que outras pessoas com certo custo poderiam tentar nos oferecer.

Em suma, a indiferença é por sua vez a saída para que nem sejamos levados a prosseguir numa verdadeira campanha contra outrem, desperdiçando assim nossas energias, e nem deixemos crescer dentro de nós certas chamas que venham a nos queimar, ainda que intensas, ainda que vivas. De modo algum poderá o viver ser determinado por estas ou outras palavras, e cada situação irá requerer um pensamento específico, uma reflexão que vá de acordo. Entretanto, o que o Satanista deve fazer é tentar enxergar além daquilo que a BS nos sugere e perceber que nem sempre poderá uma vingança superar a indiferença. Bem como o contrário, claro... Os dois lados da moeda já foram expostos. Cada um que a jogue à sua maneira.

5 Comments

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    Comment by Danilo

    Interessante ler esse texto agora, são 2:30 da manhã, tô cansado pra caramba e tenho que acordar amanhã cedo, mas acordei porque um desgraçado, com o perdão da palavra, parou o carro aqui na rua tocando um som extremamente alto, causando um infortúnio, desconforto e prejuízo financeiro. Agora, numa situação dessas a vingança seria absolutamente aceitável, pena que quando cheguei lá fora ele já tava virando a esquina, então eu acho que indiferença pode ser útil sim, mas em alguns momentos vai ser necessário reagir, e algumas vezes com violência.

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    Comment by Elioenai

    Li os dois textos. Quando li o primeiro achei até brilhante. Quando li o segundo fiquei com cara estranha, pois ele(à primeira vista) meio que discordava do segundo, mas não pude deixar de reconhecer que também está "certo". "Certo" porque, afinal, não há certo exatamente, o q é bom pra vc, pode não ser bom pra mim. O bom é o que vocÊ escreveu no final "Os dois lados da moeda já foram expostos. Cada um que a jogue à sua maneira."

    Faço de minha maneira, pois acho que perdão realmente de pouca coisa adianta, pois não ignorarei meu remorso, e tambem faço de minha maneira(a outra maneira) pois acho q as vesez a indiferença supera a vingança. Cada caso um problema, cada problema uma solução.

    Muito interessante este post.

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    Comment by Rafael Vida sco

    :)

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    Comment by Anônimo

    Ola, amigos em Satan, Parabéns pelo texto. Bem, eu como satanista defino o satanismo primeiro pela sua base, depois pela sua luta. Qual sua base? A boa e velha vingança. e sua luta? É e sempre será contra a fraqueza!. Portanto satanista que não se vinga, não é satanista de verdade, satanista não é indiferente nunca gente, que é isso??? . Claro que vingança, não tem que ser nescessariamente uma agressão física revanchista. Pode e deve ser sempre algo mais bem elaborado. Essa é minha opinião!!

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    Comment by Anônimo

    satanista que não se vinga, não é satanista de verdade? deixa de ser burro! sou satanista(de verdade) e discordo. nao vou dar a minima importancia a idiotas que nao merecem o meu tempo, nao vou andar a gastar meu tempo e as minhas forças a "vingar-me" desses vermes de merda,que me sao indiferentes, sou superior