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"Não subestime o desprezo absoluto das pessoas. Tornar-se um pária não é fácil. As pessoas acreditam que o diabo é Satan. Ignoram que o mundo é muito mais antigo que o cristianismo. Tudo para essas pessoas ignorantes é coisa do “diabo”. E julgam, recriminam e segregam. Ainda que isso seja um pecado diante de Deus. Porém, estranhamente é exatamente esse comportamento hipócrita e preconceituoso que a Igreja incentiva. É tudo tão absurdo. E afinal o que são os pecados? É uma maneira de controle do ser humano, de condená-lo, de inserir culpa pelos seus desejos naturais, de submetê-lo, de castrar seus pensamentos. É tudo tão ridículo."

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A necessidade de crer no que não se vê...

Escrito por Recanto do Opositor

Aqui no blog já falei, recentemente até, sobre a curiosa mudança de forma que certos conteúdos vêm sofrendo. Para quem não leu, a história é mais ou menos a seguinte, enquanto muitos oram a um senhor barbudo achando que ele vai resolver todos os seus problemas, outros fazem exatamente o mesmo, mudando apenas o tal senhor para um demônio de chifres, ou qualquer coisa do tipo. Isto vem ocorrendo muito e hoje em dia não faltam entidades para nos apoiarmos. Satan, Lúcifer, deuses negros, e outras cositas más.

Mas hoje eu não venho falar de entidades, personagens, deuses negros, claros, luminosos ou fluorescentes. Tenho percebido que uma outra palavrinha mágica é tão pop star quanto algumas entidades dumal. Esta palavra se chama "magia". Mas ora, não há magia no Satanismo? De fato há, mas tudo tem limite...

Primeiramente acho que não preciso ficar explicando o que é magia e quais são os dois tipos propostos por LaVey. Quem ainda não entende, material aqui no blog não falta. Quem já sabe me compreenderá...

O que quero falar é que, da mesma forma como a necessidade da crença teísta só muda com relação à divindade alvo, a necessidade de buscar abrigo em coisas externas ao indivíduo também só muda de nome.

Que quero dizer com buscar abrigo? Simples. O que acontece é que, na falta de uma visão voltada para si mesmo como o centro das ações, como fim e meio supremos; da compreensão de sua importância para si como a fonte primária de força individual; alguns jogam para coisas "que não vêem" a responsabilidade de seu sucesso e/ou fracasso, bem como fonte de conhecimento, poder ou algo do tipo. E como isto se dá? Vamos lá...

Há uma necessidade, tipicamente humana, de explicar o inexplicável, de descrever o que não se vê... Isto dá obviamente livros e livros de conversa, justamente por ser esta condição o grande motor da vida... Mas o que nos importa agora é compreender como isto se dá e o quão diferente do pensamento Satanista isto é... Bem como tal pode deixar de lado as melhores idéias da religião.

Para vermos de perto esta necessidade, não precisa ir muito adiante. Hoje disponíveis na internet o que mais temos são manuais de magia, de rituais, descrição de sistemas complexos de divindades, enfim... Grande parte das religiões do dito Caminho da Mão Esquerda baseiam-se fundamentalmente em entidades, e alguma forma de magia mais ritualística. E tudo isto nada mais é senão mais uma forma de crença. Nada mais que isto. Diversos textos são produzidos descrevendo sistemas de idéias pautados todo em proposições de rituais e descrições de deuses e/ou rituais. Ou seja, crença, crença e mais crença, ou simplesmente como gostam de chamar, magia. Claro, não se trata apenas destas descrições mais "complexas" de magia, rituais, poderes ocultos, e coisas do tipo. Há ainda coisas ridículas como pactos, consultas a entidades e coisas do tipo...

Obviamente, eu não estou aqui dizendo se estas formas de crença são válidas ou não. Não se trata disto. Se é algo que não pode ser explicado, não há respostas absolutas. É como querer provar a existência ou a inexistência de deus. Não dá em nada. O que se deve compreender é a importância que o indivíduo Satanista possui, importância esta que influenciará até mesmo o conceito da própria magia Satanista.

Reparem que LaVey em sua Bíblia Satânica não dedica qualquer espaço a nenhuma entidade quando está a falar de magia. Claro, esta própria negação do "teísmo externo" permeia todo o texto, mas quando falamos neste ponto específico fica claro que a nossa crença não está associada a nenhum personagem inventado por nossa mente. Além disto, temos uma caracterização de magia, a manipulativa, que nem ao menos de crença necessita. Mas ora, não deixa então de ser magia? Bem, a despeito de haver apenas uma definição no dicionário, esta palavra possui as mais diversas cargas semânticas, no mais diversos contextos, religiosos ou não. LaVey simplesmente foi um pouco além do que já havia sido pensado e nomeou de magia também ações concretas.

Outro ponto fundamental é compreender que a religião Satanista propõe muito mais um "agir" que um "crer". Grande parte dos conceitos Satanista diz respeito à parte fundamental deste sistema religioso, que é o que gosto de chamar de proposição de conduta. Ou seja, é um caminho do fazer, do portar-se, do pensar, do viver. Esta é a parte dogmática do Satanismo e nela é que estão os grandes valores da religião, que simplesmente a torna única.

Mas por conta desta "mística persuasiva" parece que as coisas "que não vemos" nos desperta mais interesse. Claro. Não só desperta mais interesse, como também é uma forma de pensar muito mais cômoda. Recorrer a um mundo "mágico" é muito mais simples que bater de frente com o mundo "real". Isto justifica a grande "procura" pelo Satanismo, por parte dos leigos, na esperança de que Satan, o de chifres, possa trazer algo de bom para suas vidas...

É claro que, quem quiser seguir deuses e magias e rituais e hierarquia de demônios, entidades ou coisas parecidas, fique à vontade. Não se trata de dizer o que se deve ou não fazer. Mas eu estou vivo, penso, e ajo, não vou deixar de lado meu agir humano esperando intervenções mágicas...

5 Comments

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    Comment by Fabio Novaski

    Belo texto, Vitor, concordo em gênero e número "igual" ^^

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    Comment by renanreis

    Acho que você tomou o tema da magia de forma simplória. Magia não é necessariamente um recurso às forças externas, e sim uma forma de mudar algo da realidade. Sendo assim, inclusive o estudo pode ser considerado magia, pois somente com o estudo podemos fazer certas coisas, como criar um carro ou escrever um livro.

    Desta maneira, magia também é exercício da força pessoal, porém para entender isso teríamos que discutir as manifestações do subconsciente humano.

    O uso da magia ritual, que é a que se utiliza de ritos e arquétipos, nada mais é do que uma forma de linguagem do subconsciente e do inconsciente. Se o indivíduo utilizar o sub e o incosciente na forma da fé terá os mesmos efeitos se for utilizar a forma do self.

    Diferentes caminhos para a mesma coisa.

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    Comment by Vítor Vieira

    E acredito que você não captou justamente o foco da questão,rsrs...

    Tudo o que você falou eu concordo, aliás, condiz com o próprio Satanismo.

    Repare que, eu não estou com estas palavras criticando o uso da magia, assim, de forma pura e simples. Estou criticando a forma como a magia em si é compreendida nas mais diferentes posturas religiosas.

    Você mesmo coloca palavras como "arquétipo", "subconsciente" e "inconsciente", "self"... Todas elas remetem ao indivíduo em si, e não a coisas exteriores, e é exatamente disto que falo. Refiro-me a exceções de ilusões, de crenças, de personagens para mostrar que no Satanismo as coisas não são de forma igual, uma vez que o próprio indivíduo, inclusive no uso da magia, é o agente principal, e não forças místicas de planos mágicos paralelos regidos por um complexo sistema hierárquico de entidades....

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    Comment by renanreis

    aaaaaaaaasim, entendi. desculpe o equívoco. realmente, magia é um exercício da força pessoal. o que advém de forças externas não é magia, ou até é, mas feita por agentes externos. se deus abriu o mar vermelho foi por meio da magia (falando de forma extremamente simplória e exemplificativa).

    bom, tendo isso esclarecido, concordo com vc rsrsrs

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    Comment by Vítor Vieira

    "Refiro-me a exceções de ilusões, de crenças, de personagens(...)"

    Errata: Refiro-me a EXCESSOS de...