Recomendação do Recanto




"Não subestime o desprezo absoluto das pessoas. Tornar-se um pária não é fácil. As pessoas acreditam que o diabo é Satan. Ignoram que o mundo é muito mais antigo que o cristianismo. Tudo para essas pessoas ignorantes é coisa do “diabo”. E julgam, recriminam e segregam. Ainda que isso seja um pecado diante de Deus. Porém, estranhamente é exatamente esse comportamento hipócrita e preconceituoso que a Igreja incentiva. É tudo tão absurdo. E afinal o que são os pecados? É uma maneira de controle do ser humano, de condená-lo, de inserir culpa pelos seus desejos naturais, de submetê-lo, de castrar seus pensamentos. É tudo tão ridículo."

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Alienação e neutralidade: cúmplice e delator - Parte III

Escrito por Recanto do Opositor

Continuação da Parte II...

Quando somos testemunhas de um assalto, de um assassinato, ou qualquer outro delito, das duas uma, ou ignoramos o fato, ou o reportamos para as autoridades responsáveis. Se virmos o ocorrido e o denunciamos, estamos agindo, estamos contribuindo para que o bandido sofra as conseqüências de seu ato, ou, a partir de uma visão mais "bonitinha", para seja feita justiça à vítima. Assim sendo, estamos indo contra a possibilidade de ação oposta. Ora, se não denunciamos, estamos necessariamente agindo como cúmplices, na medida em que permitimos a manutenção da situação e deixamos de lado toda e qualquer potencialidade nossa de ação, de mudança, de contestação.

Nesta situação fica muito fácil de entender como é o mito da neutralidade. Se vimos o ocorrido, estamos numa relação direta com ele, e, ignorá-lo, não é manter-se neutro, uma vez que, a possibilidade de ação não é deixada de lado. Ou seja, se você poderia ter feito algo e não fez, não agiu de forma neutra. Não há qualquer neutralidade quando somos partes da situação, ou dela temos conhecimento. Só há neutralidade plena quando não há lados para escolhermos. Ou seja, eu só posso me manter neutro numa disputa que seja por mim sabida. Mas ora, aí estamos a falar de desconhecimento, e não de neutralidade.

Naturalmente, a postura de não fazer nada, de ignorar, é sempre a mais confortável, a mais cômoda, a que dá menos trabalho, a que joga com conseqüências mais seguras.

Mas ora, e onde entra todo aquele papo do "contra" Satanista? O arquétipo de Satan é então em uma de suas interpretações completamente esquecido... E o que temos? Alienação Satanista.

A despeito da vasta utilização do substantivo e seu respectivo verbo, é preciso pensar no que de fato isto significa. Alienar-se nos remete às origens gregas da palavra, na qual o radical "alien" significa, dentre outros e a grosso modo, "o outro". Daí temos, por exemplo, em inglês (além do filme do monstrengo espacial), dentre outras significações, "alien" como estrangeiro. Ou seja, alienar-se é tornar-se o outro. E o que isto importa a nossa discussão? Ora, acreditar que se mantém neutro em uma situação de conflito significa simplesmente ser cúmplice com uma dos lados, logo, você acaba por estar também nele. Passa-se a jogar no mesmo time, passa-se a "vestir a camisa" do outro, e ignora-se o seu poder de atuação, de mudança.

E aí então eu pergunto, novamente, por onde anda o Satan adversário nesta história toda? LaVey por algum acaso adotou a postura de manter-se "neutro" diante de tudo aquilo que ele via nas ações e pensamentos das pessoas?

Pergunto isto, pois vejo muita acomodação camuflada por entre as idéias Satanistas. E, claro, acomodação esta justificada justamente por conta do mito da neutralidade. E nisto, vamos caminhando de acordo com o fluxo do rio, sem que de fato exerçamos nossa força de ação enquanto indivíduos. O que resulta nos vários: o que tenho a ver com isto se sou eu o senhor de minha vontade e destino?

Em suma, o mito da neutralidade justifica e corrobora a alienação. E a alienação, por sua vez, deixa completamente de lado o caráter de ação e de oposição do pensamento Satanista.

O leitor mais atento pensaria: hummm, maldito comunista e sua retórica de pseudo-satanismo! Mas não é bem por aí... É justamente o contrário. A desconstrução de um falso eu desvinculado de seu meio e de seu contexto traz por conseqüência justamente uma valorização fidedigna da instância do indivíduo, ao invés de colocá-lo num pedestal prestes a cair. E mais do que isto, não se trata de suscitar nenhum tipo de ativismo. Até pelo fato de que não estou indicando especificamente qualquer tipo de problema nem incitando ninguém a agir de forma concreta contra qualquer coisa. Trata-se apenas de um trabalho de reflexão que pode ou não resultar em conseqüências concretas. A despeito das conseqüências mais práticas, o importante é deixar de lado, ao menos no nível do pensamento, este deslocamento do eu para fora de seu círculo. Compreender o funcionamento de qualquer máquina é o primeiro passo para poder sabotá-la. Eu disse... qualquer.

2 Comments

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    Comment by Anônimo

    Minha alienação é um imperativo afirmativo. Digo "foda-se" para dada questão, ou pelo menos gosto de pensar que é assim.
    Um analfabeto político é pior que um alienado dos custos cinematográficos da cobertura da copa? Mesmo que isso envolva seu entretenimento favorito e a grande e poderosa indústria midiática formadora de opinião brasileira?

    Desculpe, mas não posso ser não-alienado em todas as questões. Se isto é um crime pra você, e se não me deixa esconder isso em termos mais brandos, peço que respeite minhas preferências sobre o que eu devo dar mais atenção.

    Nego-te o direito de exigir-me o dever de não-alienação. Gosto mais do meu travesseiro.

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    Comment by Vítor V.

    Bom ímpeto, mas suas palavras partem mais dos seus pensamentos, do que de fato das minhas.

    Em momento algum eu SEQUER suponho uma "não alienação" em todas as questões. Isto é impossível, incabível, impensável, impraticável. O mundo não foi feio para que o agarremos por inteiro com nossas mãos...

    E em momento algum também eu atribui a mim o direito de EXIGIR QUALQUER tipo de não-alienação. Não sei de onde você tirou isto. Parece-me paranóia de submissão, de achar que tudo e todos estão querendo te controlar. Apenas ouça o canto dos pássaros, meu (inha) caro (a), eles não o fazem por seus aplausos.

    O que digo é que, valendo-me de sua metáfora (assim entendo), é que às vezes preferir o travesseiro significa deixar de aproveitar o belo dia de sol lá fora. Ou mais do que isto, permanecer na cama é não ter a coragem de pegar um guarda chuva e tentar viver, ainda que com chuva.

    O isolamento/inércia é uma escolha? Sempre.

    Eu apenas SUGIRO, explicando meus motivos, um outro caminho. Quer segui-lo? A escolha NUNCA deixou de ser sua!