Recomendação do Recanto




"Não subestime o desprezo absoluto das pessoas. Tornar-se um pária não é fácil. As pessoas acreditam que o diabo é Satan. Ignoram que o mundo é muito mais antigo que o cristianismo. Tudo para essas pessoas ignorantes é coisa do “diabo”. E julgam, recriminam e segregam. Ainda que isso seja um pecado diante de Deus. Porém, estranhamente é exatamente esse comportamento hipócrita e preconceituoso que a Igreja incentiva. É tudo tão absurdo. E afinal o que são os pecados? É uma maneira de controle do ser humano, de condená-lo, de inserir culpa pelos seus desejos naturais, de submetê-lo, de castrar seus pensamentos. É tudo tão ridículo."

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Alienação e neutralidade: cúmplice e delator - Parte II

Escrito por Recanto do Opositor

Continuação da Parte I...

Parece contraditório, mas não é. A instância do indivíduo dá-se, antes de qualquer coisa, numa esfera social. Ninguém nasce sozinho numa ilha e nela vive. O homem é um animal social, e toda a nossa vida, a despeito de exemplos fantasiosos, é pautada por relações, por interação, por comunicação. A própria faculdade da linguagem pressupõe um fim comunicativo; não fomos feitos para vivermos sozinhos. E poderia vomitar dezenas de argumentos, mas creio que isto seja facilmente assimilado. Assim sendo, uma vez que dependamos desta esfera social, também somos por ela determinados. Naturalmente, não estou aqui querendo anular a vontade individual, de forma alguma. Mas ela é a última parte da história, se podemos dizer assim. Complementando a frase já utilizada, temos uma máxima que, a despeito da não-aceitação de muitos, não pode ser ignorada: todo ato, toda prática social e todo o pensamento que a pressupõe não são em última instância determinados pelo indivíduo, pelo nosso bem querer, ou uma vontade pessoal maior; mas sim pelas condições históricas, sociais, culturais, políticas e econômicas que permitem que estas ações se realizem de uma forma ao invés de outra.

Vamos exemplificar... Eu só posso estar escrevendo este texto, por dispor de um meio de comunicação que é a internet. E eu só posso depender da internet, por haver um desenvolvimento tecnológico tal que o permita, e mais do que isto, que hajam condições políticas, econômicas, materiais e culturais para sua ocorrência. E eu só posso também, por minha vez, escrever sobre Satanismo, uma vez que tenha havido um rapazinho chamado Anton LaVey para organizar e instituir a religião Satanista. E este rapazinho, também só pode escrever sobre um sistema religioso baseado no conceito do "contra", por haver à sua época uma determinada gama de pensamento que, não somente não se valia de preceitos defendidos pelo Satanismo, como também, ao mesmo tempo, os possibilitava surgir.

Certamente, se formos adotar este tipo de pensamento precedente, no sentido de tentar apontar as condições de formação de uma determinada prática e pensamento, acabaremos chegando em Adão e Eva, Big Bang, e outras coisas do tipo. Mas a questão não é alcançar a origem de tudo, o ato primeiro, a unidade da qual partem todas as coisas. Religiões e filosofia já o fizeram por anos. Não é este tipo de reflexão que desejo desenvolver. E o motivo é muito simples: pensar num tempo X, pressupõe inexoravelmente pensar no tempo X-1 e no tempo X+1 (e não me venham com masturbações matemáticas abstratas, é apenas um exemplo). Ou seja, nossa mente, por ser limitada a noções de tempo-espaço, não nos permite pensar em um momento do tempo tal (o início de tudo) sem que pensemos necessariamente no que o precede e no que o sucede...

Voltando ao nosso ponto principal, o que convém entender é que o indivíduo detém sim o poder de escolha no sentido de optar por agir de uma forma A, B ou C. Entretanto, a constituição de A,B e C como possibilidades de escolha pressupõe o indivíduo. Exemplo crasso? Você pode optar por ser Satanista ou cristão, mas não pode escolher, por exemplo, uma religião que não lhe seja conhecida. Até o próprio sincretismo religioso pressupõe que haja religiões possíveis para você misturar. Parece óbvio, não? E é, e justamente por isto é tão difícil de se entender... E caso nos questionemos a respeito de cada escolha, veremos que todas as opções se formam antes de nós, e a elas estamos diretamente ligados.

E, como sempre, a mesma pergunta: o que diabos tem isto a ver com o Satanismo?

A valorização satanista do indivíduo vale-se de diversas "imagens-conceito": um indivíduo de livre pensamento, o homem enquanto senhor de suas vontades e seu destino, o cara que consegue aquilo que deseja através de suas próprias forças, um alguém que age por si só e tenta não depender dos outros para alcançar seus objetivos, etc., etc., etc. Esta valorização não é gratuita. Se virarmos nosso pescoço para olhar melhor para algo que está à nossa esquerda, o campo de visão do lado direito é reduzido. Assim sendo, pensar demais no eu, enquanto a instância do indivíduo, necessariamente acaba por fazer com que pensemos menos naquilo que o cerca. Ou seja, todo este papo de indivíduo como dependente de seu contexto histórico social é simplesmente esquecido.

Entra então em questão o mito da neutralidade, e a dialética do cúmplice e do delator.

Continua na Parte III...

2 Comments

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    Comment by Anônimo

    santa teimosia.

    Você não fala sobre, fala do que está em volta. E acha que isso é esmiuçar a questão, não!
    Está justamente indo na direção contrária, torna seu texto uma esponja.

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    Comment by Vítor V.

    "Você não fala sobre, fala do que está em volta."

    O traço que corta um quadrado só o é por conta de suas 2 metades.

    O que ele é? Algo entre dois espaços.

    O que é este algo? Não sei.

    As questões não são resolvidas com "o quês", mas com "comos". O "algo" só é por serem outros ao seu redor diferentes dele.