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"Não subestime o desprezo absoluto das pessoas. Tornar-se um pária não é fácil. As pessoas acreditam que o diabo é Satan. Ignoram que o mundo é muito mais antigo que o cristianismo. Tudo para essas pessoas ignorantes é coisa do “diabo”. E julgam, recriminam e segregam. Ainda que isso seja um pecado diante de Deus. Porém, estranhamente é exatamente esse comportamento hipócrita e preconceituoso que a Igreja incentiva. É tudo tão absurdo. E afinal o que são os pecados? É uma maneira de controle do ser humano, de condená-lo, de inserir culpa pelos seus desejos naturais, de submetê-lo, de castrar seus pensamentos. É tudo tão ridículo."

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Debates de internet, mito de "eu sei", auto-afirmação

Escrito por Recanto do Opositor

Quem me conhece sabe do tempo que já perdi (e perco) nos ditos "debates" da internet. Eu sempre fui da opinião de que era justamente na troca de idéias que as coisas novas surgiam, e, das duas uma, ou você acrescentava algo de positivo à sua opinião, ou a reafirmava obtendo novos "contra-argumentos". Por conta disto, milhares de palavras já foram escritas por meus dedos e teclado, muito tempo já foi perdido, e por diversas vezes minha paciência foi colocada à prova. As palavras que serão ditas a seguir nada mais são do que a constatação óbvia que qualquer pessoa com um olhar minimamente apurado pode ter... E, sinceramente, não sei por qual motivo demorei tanto tempo para escrevê-las...

A um bom tempo, com o desenvolvimento das ferramentas que a internet nos oferecia, começamos a usufruir dos famosos fóruns. A idéia é simples, um espaço onde cada um pode dizer o que pensa, e, dentro de um mesmo espaço, pudessem ser todas as opiniões serem mantidas e assim teríamos um assunto sendo desenvolvido e comentado por várias pessoas. O formato de texto escrito, em comparação à língua falada, oferecia a possibilidade de certo rebuscamento, de um cuidado maior com as palavras, bem como a própria questão do registro, que facilitava réplicas, tréplicas, enfim, a partir do que de fato havia se escrito. Isto constituiu um espaço extremamente produtivo no que diz respeito à troca de informações... Disto ninguém tem dúvida.

Mas e quando a troca de informações se transforma em mecanismo de auto-afirmação e reafirmação de suas próprias idéias?

O que acontece, é que o debate, o diálogo, a conversa, a troca de saberes deu lugar a uma arena de guerra, da qual ninguém quer sair perdendo. Tal qual antigamente, o mote do "entro em debates para aprender mais" ainda está em voga, mas isto não passa de um pseudo-motivo dos mais confortáveis, que, no final das contas só esconde o verdadeiro pelos quais muitos atualmente participam de discussões: dizer para todo mundo "EU penso isso e VOCÊ está errado".

O grande problema reside nas diferenças. Se pegarmos um grupo de 5 pessoas que vestem a mesma camisa, suas colocações e idéias irão trabalhar todas em conjunto em prol de um mesmo pensamento, compartilhado por todos. Mas quando colocamos idéias diferentes, eis o problema. E quando falamos de religião então, é melhor pegar sua armadura.

A questão é simples, e se resume a alguns pontos. Para não ficarem vomitando depois "ah, não generalize", vamos utilizar a expressão "certas pessoas".

* Certas pessoas entram em debates apenas para vomitarem ao resto do mundo sua opinião, e, não dificilmente, tudo não passa de uma batalha de egos para ver quem no final vai levar o troféu melhor argumentador do tópico.

* Certas pessoas não se dão ao trabalho de entenderem de fato o que o outro quis dizer COMO UM TODO, e tudo o que fazem é buscar desesperadamente fragmentos de uma frase ou duas, completamente deslocadas de seu contexto, simplesmente para, a partir destas, lançar novamente seus "argumentos" imbatíveis.

* Certas pessoas partem da seguinte lógica: debato para aprender. Quando é exatamente o contrário! Para que duas pessoas discutam sobre o mesmo livro, é preciso que, primeiro, ambas o tenham lido.

* Certas pessoas acreditam que podem discorrer sobre qualquer assunto sem nunca ter lido uma página sobre o tema, ou, por simplesmente terem dedicado 5 minutos de leitura a um verbete da Wikipedia.

* Certas pessoas não se colocam no lugar de quem as critica para buscarem em si mesmas suas possíveis contradições. O caminho é justamente o oposto: buscam os problemas nas palavras dos outros, quando na verdade, se há quem critique, motivos há, e sou EU quem devo buscar incessantemente as mazelas do meu discurso; e não ficar esperando que o próximo o faça.

* Certas pessoas não conseguem compreender que certos temas (a grande maioria por sinal) exigem uma carga de conhecimento que não são todos que têm.

* Certas pessoas não entendem que a própria ferramenta em si é limitada e que, reduzir determinadas questões a posts de 2000 caracteres ou algo do tipo é deixar de lado suas respectivas complexidades, gerando assim um debate raso, superficial, sem qualquer valor.

* Certas pessoas não entendem que as idéias não se encerram na fala de uma pessoa, e que esta é apenas a concretização de diversas leituras, de várias horas de estudo, de muitos momentos de reflexão, e que, para entender de fato esta fala, é preciso, imprescindivelmente, ou compartilhar destas leituras, ou realizá-las.

* Certas pessoas não entendem que não é com 2 ou 10 debates que se encerra um determinado assunto, e que não é com 2 ou 10 argumentos que as questões se tornam esgotadas. Criou-se uma certa "concretude de argumento", ou uma certa "solidez de determinadas verdades" que nada mais fazem senão estabelecer convicções altamente questionáveis, e mais do que isto, só fazem iludir seus respectivos proprietários com o mito do eu sei.

* Certas pessoas não entendem que reduzir um assunto de considerável complexidade a um papo de buteco é absolutamente o mesmo que NADA! Não vai passar de um show de achismos e 5 minutos de fama para cada um expressar o seu.

* Certas pessoas são incapazes de entender que para falar do outro é preciso antes de tudo ouvi-lo. Uma verdadeira réplica depende essencialmente das palavras alheias, e não é esta, como muitos pensam, uma nova possibilidade de vomitar aquilo que pensamos e repetir o que já dissemos.

* Certas pessoas são incapazes de entender que não se desvincula o que é dito e quem o fala. Se eu estou a conversar com um biólogo, não vou esperar, em tese, que ele fale tão bem de literatura quanto de biologia, nem que o poeta me ensine a resolver uma derivada.

Em suma: mito do eu sei, e auto-afirmação. Enganam-se achando que sabem alguma coisa, e fingem para si mesmo, sobre uma fantasia de argumentador/debatedor portador dos mais diversos argumentos super destrutivos, capazes de desconstruir os mais complexos sistemas de idéias com apenas alguns posts. E não precisa nem dizer o quanto este self-deceit é prejudicial para o Satanista, não é?

Talvez alguns achem desnecessárias estas palavras, e como até já disse, óbvias. Mas trata-se de uma postura que está fixada de uma forma tão vasta entre aquelas pessoas que, a princípio, deveriam ser grandes críticos e que com elas teríamos muito a aprender, que não consigo ver estas minhas palavras como inúteis. É preciso compreender tudo isto que falei como uma tendência que se espalha cada vez mais, e, bem ou mal, o vômito alheio acaba sempre por respingar em nós. E quando estamos falando de Satanismo em si, é justamente através destes "debates" e destas certas pessoas que as mais diversas inverdades são disseminadas, e bem, como sabem, não sou do tipo faz vista grossa para isto.

Não vou dizer que não é uma experiência válida, muito pelo contrário. Se não tivesse visto o que já vi, com certeza não estaria escrevendo isto agora, ou talvez, justamente o contrário, repetindo os mesmos clichês de sempre: "oh, é através do debate que chegamos à verdade", "oh, é através do debate que temos acessos a idéias diferentes das nossas e isto é ótimo", "oh, é através do debate que praticamos nossa argumentação e nossa organização de idéias", "oh, é através do debate que aprendemos com o outro", bla bla bla. E ora, eu não discordo disto! Debates são luxo e lixo ao mesmo tempo. As coisas não são absolutas; não é por termos qualidades que não teremos defeitos. E é justamente pra isto que estou aqui, reclamar, apontar, acusar, se opor. Pois fazer sorriso amarelo e bater palma pro imbecil é sempre mais fácil. O caminho não é este.

O que fazer então? Ouvir o próximo, buscar incoerências em si mesmo, tentar compreender quem o critica, ultrapassar os limites do debate e dedicar-se a um verdadeiro estudo das questões que lhe despertem interesse, não se satisfazer com atraentes verdades e convicções que aparentam dar conta de tudo, permitir-se aprender coisas novas, etc etc etc. Infelizmente, não é qualquer pessoa que faz valer a pena o tempo com que perdemos com ela. Assim sendo, feche a janela deste fórum e vá ler um livro, ter uma aula, conversar com seu professor, assistir a uma palestra... O risco é bem menor... Ao menos a priori.

5 Comments

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    Comment by Anônimo

    se trabalha em que vitin?? donde vem o dinheiro dos seus livros..? ñ vai dizer q vem da mamae pelo amor de deus...

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    Comment by Vítor V.

    Pouco importa minha vida particular. Além do mais, existem inúmeras bibliotecas por aí, não necessariamente precisamos pagar para termos acesso à informação e ao conhecimento dos livros.

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    Comment by Anônimo

    ser bem sucedido não seria algo forte de um satanista? ou seja..., alguem desempregado, sem profissão, dependente, sem dinheiro, etc..etc.. não seria algo atipico do satanista em questão?

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    Comment by Vítor V.

    Depende do que você entende por ser bem sucedido. Não é apenas com um emprego que lhe rende um salário de 6 mil reais por mais que você pode ser bem sucedido.

    E, em todo caso, cada um é que vai decidir para si o que é ser bem sucedido ou não, ou ainda se vai se tornar uma pessoa assim ou não. Pouco me importa se o Satanista da esquina ganha bem ou mal.

    Onde você quer chegar?

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    Comment by Anônimo

    "Infelizmente, não é qualquer pessoa que faz valer a pena o tempo com que perdemos com ela."