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"Não subestime o desprezo absoluto das pessoas. Tornar-se um pária não é fácil. As pessoas acreditam que o diabo é Satan. Ignoram que o mundo é muito mais antigo que o cristianismo. Tudo para essas pessoas ignorantes é coisa do “diabo”. E julgam, recriminam e segregam. Ainda que isso seja um pecado diante de Deus. Porém, estranhamente é exatamente esse comportamento hipócrita e preconceituoso que a Igreja incentiva. É tudo tão absurdo. E afinal o que são os pecados? É uma maneira de controle do ser humano, de condená-lo, de inserir culpa pelos seus desejos naturais, de submetê-lo, de castrar seus pensamentos. É tudo tão ridículo."

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Arte Satânica? - Parte I

Escrito por Recanto do Opositor

Rótulos, rótulos e mais rótulos. Eis o problema de sempre. Todos querem um Satanismo... Todos querem que sua banda favorita seja uma banda Satânica... Todos querem que o poema que escreveram numa noite de chuva seja um poema Satânico... Todos querem que sua prática sincretista religiosa também seja Satânica... Blá blá blá. Quando será que vamos deixar de lado esta necessidade tola de qualificar tudo como "satânico", quando estas coisas assim rotuladas pouco ou quase nada nos tem a dizer de fato sobre Satanismo?

E o que pensar então quando ouvimos "arte satânica"?!

Muita, mas muita calma nessa hora. Como dito por aqui certa vez, certas coisas que são naturalmente complexas não devem ser reduzidas a verbetes de Wikipedia, frases de efeito, uma citação deslocada ou outra de algum escritor popstar, ou ainda frases de subnick de MSN. Principalmente quando estamos a lidar com algo que simplesmente não possui qualquer definição absoluta. Pelo contrário, tentar entender o que é arte e o que não é é uma questão que acompanha o homem desde os gregos, e não vai ser agora com um parágrafo ou outro que vamos tratar de esgotá-la. O caminho nunca foi dizer que arte é X ou Y e não será agora que irei fazer isto.

Até poderia aqui, neste momento, valer-me das palavras de muitos outros grandes pensadores que se lançaram na questão... Mas seria em vão... Páginas e mais páginas de citações, referências bibliográficas, etc. etc. etc. Mas ora, pra cada uma destas que colocasse aqui, haveriam mais outras 20 sendo esquecidas... Assim sendo, não se trata agora de esclarecer o que é o fazer artístico. Entretanto, ainda que ignoremos se há de fato uma "natureza artística" daquilo que se diga ser uma "obra de arte satânica", podemos perfeitamente, e desta vez, entrando em um campo mais seguro de certezas, questionar sobre esta suposta qualidade de ser satânica.

Se dissemos que algo é Satanista, é preciso que nos perguntemos: o que é Satanismo? Ora, esta a gente sabe (ou se deveria saber), Satanismo é um sistema de idéias de caráter religioso. Quem duvidar disto, basta ver aqui meus argumentos para considerar o Satanismo uma religião... Mas, a despeito desta questão entre ser o Satanismo ou não uma religião (o que também é uma mera questão de rótulos, como podemos ver aqui), o que importa é que ele constitui-se como um conjunto fechado de princípios e valores que o definem enquanto Satanismo, ou seja, que lhe dão a unidade que possui, no sentido de ser uma coisa, e não outra. Desta forma, para algo ser chamado de Satânico, é preciso que esteja de alguma forma relacionado com estes princípios e valores, de modo a compartilhar esta unidade e justificar o rótulo.

É simples... Uma manifestação artística dita cristã, tem, necessariamente, para que se justifique tal rótulo, valer-se de temas, de figuras, conceitos, valores, enfim, de elementos que pertençam ao cristianismo. Parece óbvio, não? Mas como sempre falo, é justamente o óbvio o mais difícil das pessoas entenderem.

Pois, ora, como pode uma obra de "arte" dita Satânica ser assim chamada se não traz à tona nada pertencente ao Satanismo?

Entra em questão então o que viria a ser pertencente ou não ao Satanismo...

E aí o que vejo é que boa parte daquilo que é considerado satânico não passa de elementos puramente estéticos. Coisas das mais superficiais, ou o que gosto de chamar de manto negro do Satanismo. Este tal manto negro diz respeito à parte "externa" do Satanismo, aquela que se tem numa primeira vista. Excessiva crítica ao cristianismo, valorização da cor negra, do ódio justificado, da imagem dos demônios, da aparência "monstruosa" de Satan, das velas, pentagrama, enfim... Existe uma série de elementos não textuais que dão este "toque especial" ao Satanismo. Particularmente penso que tudo isto só contribui para que adolescentes sedentos por auto-afirmação (e muitas vezes adultos também...) se prendam a esta parte "teatral" que tem muito o que mostrar, mas pouco a dizer.

E é justamente este "manto negro" que vai ser percebido em pinturas, textos, músicas, e outras produções, e que vai justificar o rótulo de Satânico. Mas ora, será que isto basta?

O que tem de ser colocado em questão é: em primeiro lugar, estes elementos do "manto negro" são exclusivos do Satanismo? Em segundo lugar, ainda que sejam de fato unicamente pertencentes a ele, expressam ainda assim conceitos, valores, idéias e pensamentos verdadeiramente Satanistas?

Continua na Parte II...

2 Comments

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    Comment by Anônimo

    Primeiramente, parabéns pelo artigo. É realmente digno de reconhecimento o seu esforço para "desblack-metaltificar" (hehehe) o Satanismo. Você realmente discute pontos importantes (ao meu ver, pelo menos).

    Apenas duas perguntas?

    Por que o Satanismo de LaVey é tão importante para você? a ponto de você afirmar várias vezes que ele é o único Satanismo.

    Por que te incomoda quando outros, que não compreendem a grandiosidade da obra de LaVey utilizam o termo Satanismo?

    Gosto de seus artigos...até breve.

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    Comment by Vítor V.

    Obrigado por seu comentário!

    Naturalmente, alguma importância o Satanismo tem para mim. Mais do que apropriar-me de suas propostas no que diz respeito à forma como ajo e penso, acredito que trata-se de um sistema de idéias que pode ser muito válido para outras pessoas.

    Quanto ao dizer que ele é o único "Satanismo", não estou querendo dizer que as idéias de LaVey ou as minhas são melhores ou piores que as de outras religiões, ou outros ditos satanismos. O que defendo é há uma incoerência com relação a certas rotulações. Esta é uma questão que muito já foi discutida, e basta você ler o meu "Do dito Satanismo Tradicional" para entender meus motivos.

    E bem, eu não creio que LaVey tenha tido esta grandiosidade toda. Acho que outros antes dele merecem esta quantidade toda de louros... A grande sacada de LaVey foi conseguir organizar diversos pontos dentro de um sistema religioso estruturado e, ao mesmo tempo, criar uma "religião não religiosa", isto é, sem fazer com que o sistema em si ficasse limitado tal qual outras religiões.

    E quanto a me incomodar à má utilização do termo satanismo, é simples. O que ocorre é que é justamente esta má utilização que faz com que o termo signifique uma série de coisas superficiais e menores que muito distantes estão do que de fato é o Satanismo. Por conta disto temos conseqüências: poucas pessoas conhecem de fato o termo por conta do peso do rótulo e aqueles que de alguma forma o utilizam acabam por serem mal interpretados ou não compreendidos.

    Eu não vivo pelo Satanismo, eu não sou militante, não quero converter o mundo, nem nada disto. Quero apenas mostrar, expor, possibilitar que outras pessoas consigam chegar aos lugares em que cheguei e, mais que isto, irem muito mais longe, cada um em seu caminho. Não me custa nada, não deixo de viver por causa disto, e ainda desenvolvo minhas idéias.