E Se?
Há 2 semanas
Vozes da morte
Augusto dos Anjos
Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!
Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!
Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,
Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte, ainda teremos filhos!
DOS ANJOS, Augusto. Eu e outras poesias. São Paulo: Editora Martin Claret, 2005.
13 de dezembro de 2009 às 19:00
Dos Anjos foi um cara que não necessáriamente fez a diferença, mas fez diferente, fez com o coração.Um dos poucos poetas que faz sonetos sem com que os mesmos fiquem vazios e prolixos, um dos poucos poetas que eu consigo ler e reler e ainda na "re-releitura" me emocionar.Ótimo.
1 de agosto de 2010 às 06:01
Um poema bastante forte, tratar a morte e a vida de uma forma tão proximas é uma coisa assustadora.