Recomendação do Recanto




"Não subestime o desprezo absoluto das pessoas. Tornar-se um pária não é fácil. As pessoas acreditam que o diabo é Satan. Ignoram que o mundo é muito mais antigo que o cristianismo. Tudo para essas pessoas ignorantes é coisa do “diabo”. E julgam, recriminam e segregam. Ainda que isso seja um pecado diante de Deus. Porém, estranhamente é exatamente esse comportamento hipócrita e preconceituoso que a Igreja incentiva. É tudo tão absurdo. E afinal o que são os pecados? É uma maneira de controle do ser humano, de condená-lo, de inserir culpa pelos seus desejos naturais, de submetê-lo, de castrar seus pensamentos. É tudo tão ridículo."

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Enquanto foge o ladrão, falamos de religião

Escrito por Recanto do Opositor

Caros leitores, hoje trago a vocês muita novidade. Vou falar um pouco sobre nossos coleguinhas ateus. Claro, vocês nunca me viram falando mal deles... Mas não se preocupem. Desta vez não vou falar do cientificismo, do racionalismo exacerbado, da bitolação, nada disto. Há um certo ponto presente no recente discurso ateu sobre o qual ainda não tinha falado. Trata-se da alienação política/social/econômica. Naturalmente, virá um neo-ateu dizendo: mas ora, que absurdo, somos tão preocupados com estatísticas e números referentes ao desenvolvimento de diversos países que possuem em sua população um grande número de ateus, bem como estamos atentos para todos os conflitos que o mundo possui por conta das religiões, bla bla bla. Pois é, como sempre, tem-se muita informação, muitos números, muitos dados, mas pouca reflexão, e o pior de tudo, um confortável espectro de crítica, intelectualidade e conhecimento...

Quem freqüenta fóruns na internet, ou simplesmente já perdeu tempo procurando textos de exaltação ao ateísmo por aí espalhados pela internet, com certeza já se deparou com clichês como: países desenvolvidos são menos religiosos, a religiosidade faz com que o povo perca seu pensamento crítico, a fé bitola as pessoas, religião faz com que milhões de pessoas sejam mortas em jihads, etc. etc. etc. O leitor talvez perguntaria, mas ora, isto tudo não faz sentido?

Faz, e não faz.

O que ocorre é que muitos, em sua superficialidade e limitação segura, consideram a religião por si como a causa única de todos os problemas existentes do mundo. Tomando por referência os diversos conflitos étnicos, fazem destes o carro chefe dos argumentos para reafirmar o caráter destrutivo da religião.

Entretanto, o que muitas pessoas não conseguem compreender é que a religião é o menor de todos os problemas! Enquanto nos deparamos com uma sociedade capitalista (com o perdão do chavão militante) com infinitas mazelas, o bom crítico ateu encontra na religião a solução de todas as questões! Como quem diz, "ah é tudo culpa da religião". Mas ora, e má distribuição de renda, e anos e anos de pensamento colonialista, e a semente da corrupção plantada em 95% dos políticos, e o descaso com saúde e educação? Enfim, são assuntos mais que batidos, mas que para serem analisados requerem muita observação, muito estudo, levantar muitos dados, e ter um puta dum trabalho de organização para se tentar chegar a algum lugar.

Mas ora, e a religião não acaba tendo sua parcela de culpa? É aqui que entra o problema do discurso ateu. O que ocorre é que, toda esta problemática extremamente complexa é simplesmente deixada de lado, enquanto que, estes mesmos problemas sociais, ocasionados, na cabeça de alguns, por conta da religião, torna-se justamente mais um argumento do tão comum proselitismo ateísta! Trocando em miúdos, na hora de levantar questões sociais/econômicas/políticas todo ateu ergue a voz para colocar a culpa na religião, agora, tratar as questões com a complexidade que elas requerem, isto, ninguém faz.

O grande problema que vejo por entre os críticos de plantão que se pautam pelo discurso ateísta é o fato de que se criou uma superioridade intelectual imaginária, fazendo com que todos se sintam capazes e aptos para esgotar questões extremamente complicadas com o simples "é culpa da religião". E enquanto isto estamos sendo roubados diariamente por políticos corruptos; nossas crianças não possuem condições necessárias para se desenvolverem tanto profissional quanto intelectualmente; nossa família está sendo assaltada nas ruas; enfim... Criou-se um "conforto crítico" no tratamento dos problemas, de modo que isto se torna justamente o instrumento de controle para aqueles que de fato ditam as regras do sistema. Em outras palavras: continue atribuindo à religião a responsabilidade de todos os problemas, enquanto deixam de lado suas verdadeiras causas... é exatamente isto que queremos!

Disto tiramos duas conseqüências.

Primeiro, os ateus, aqueles dos quais esperamos justamente muito mais coisas por conta de seu pensamento crítico, são exatamente aqueles que, por conta de sua perigosa radicalidade, se podemos dizer assim, acabam, ao deixar de lado pontos fundamentais na análise dos problemas com um confortável "é culpa da religião", por deixar as coisas como estão, tal qual querem aqueles que com esta situação se beneficiam. Quanto menos gente olhando de perto a merda, menos reclamações do mau cheiro haverá.

Em segundo lugar, temos uma relação um tanto quanto indireta com o Satanismo, mas que é ocorrente. Todo e qualquer discurso que parta de um princípio radicalizado do conceito de religião, ao compreender pela utilização do termo apenas os sistemas religiosos cristãos, acaba por influenciar negativamente o entendimento desta. E ora, como o Satanismo é uma religião, tanto em seu aspecto institucional quanto com relação às características que o definem como um sistema de idéias, acaba também por ser prejudicado, uma vez que cada vez menos será entendido como de fato o é. E sobre as conseqüências disto, basta ler o que já disse em outro momento.

Em suma, é preciso não se colocar na posição confortável de achar que acabando com a religião teremos todos os problemas do mundo resolvido, ou ainda achar que por conta dela é que se originam os que agora temos. Como já nos disse LaVey, o homem é às vezes muito que pior que nossos irmãos animais, e o que faz com que ele próprio se destrua é sua ganância desmedida, sua sede de poder exacerbada, sua injustiça para com seus semelhantes. Se toda a humanidade fosse capaz de bancar o bom samaritano cristão, com certeza teríamos muito menos problemas e nos destruiríamos muito menos do que fazemos hoje em dia. E se toda a humanidade fosse capaz de bancar o justo Satanista, com certeza o mesmo aconteceria. Mas não, o problema não está na religião e o que ela nos propõe, mas na ignorância humana enquanto espécie, que destrói seu habitat e luta contra seu semelhante. Olhemos para os humanos, neles sim estarão as respostas. Suas criações não esgotam sua natureza e pensar, e não é culpando elas que teremos esgotado as questões. Bem, ao menos o Satanismo nos leva a tentarmos nos observar como de fato somos, ao invés de querer forjar aquilo que gostaríamos de ser...

Só Satan expulsa demônios (?!) das pessoas?

Escrito por Recanto do Opositor

Certas pessoas gostam tanto de falar mal das outras que são incapazes de lançarem um olha para si próprias e perceberem que agem de forma igual à que criticam. Mudam apenas as aparências, mas a essência permanece a mesma. E quando se pensa em religião, as semelhanças entre os mais diversos sistemas não são raras...

Sei que a maioria dos leitores deste blog é do Rio de Janeiro e com certeza muitos deles já viram nas mais ordinárias paredes ao longo da cidade os dizeres "só Jesus expulsa demônios das pessoas" ou "só Jesus expulsa a pomba gira das pessoas", dentre outras coisas do tipo. Não sei se isto rola em outros estados, mas por aqui é bem comum estas mensagens escritas em diversos cantos. Juro que se tivesse uma foto postava, mas no Google imagens dá para achar 2, quem quiser, procure...

A despeito disto, qualquer medíocre já deve ter ouvido falar, lido, visto, enfim, sabe muito bem da fama do pobre coitado do Capeta na vida dos evangélicos ou qualquer um que acredite na influência concreta de uma entidade maléfica na vida das pessoas. Os rituais de "descarrego" tornaram-se febre nas mais diversas reuniões de culto e temos a imagem do Demônio cada vez mais presente em "nosso mundo". Mais que um simples espetáculo para assustar os mais influenciáveis, há algo por trás disto que, curiosamente, muito tem a ver com o Satanismo. Eu disse com o Satanismo, não com o malvadismo.

Sem querer entrar em discussões religiosas mais profundas, o que nós temos no pensamento religioso atual é uma considerável importância concedida ao Capeta/Demônio/Diabo/Satanás como agente de atuação contínua e ininterrupta no plano concreto da existência das pessoas, chegando ao ponto de ser compreendido como o responsável por uma sucessão de eventos ruins, doenças, dentre outros tipos de males. Esta atuação contínua faz com que seu nome seja lembrado mais vezes, e por conseguinte, seus métodos de contra-atuação sejam disseminados aos montes. A figura da entidade torna-se algo presente na vida de cada indivíduo, que por sua vez, precisa evitá-lo. Como já disseram, eis um de nossos pop-stars.

Tudo bem, até já se sabe, mas o que isto tem a ver com Satanismo?

Como se sabe, tem-se no Satanismo a desconstrução completa de qualquer entidade antropomórfica que seja exterior ao homem, ou de qualquer tipo de força que assuma um pensar inteligente a ponto de atuar como causa, meio, e finalidade no que diz respeito aos eventos ocorrentes na vida de cada indivíduo. Considera-se também que as deuses, demônios, anjos e companhia foram nada mais nada menos, senão criação de nossa fértil mente humana. Sendo assim, se não há nada lá fora, quem seria o bode expiatório de nossos problemas e infortúnios?

Ora, como todo bom Satanista sabe, se nós estamos no centro de nossas ações e somos os maiores responsáveis por suas conseqüências, a entidade que deve ser considerada a fonte de nossos problemas, seria justamente o indivíduo. Mas ora, se no Satanismo temos os demônios como manifestações simbólicas das mais diversas expressões sentimentais/psicológicas/físicas/morais do próprio indivíduo, assim como considera-se Satan como o arquétipo do homem carnal em toda a sua potencialidade, e isto também nos remete ao eu, então, tal qual lutam alguns contra o Capeta, lutamos também nós contra nós mesmos, contra nós como Satan, como demônios!

Ou seja, se são precisas sessões de descarrego para que sejam expulsos dos corpos dos crentes a figura do demônio, responsável por sua tormenta, também se faz necessário para o Satanista que ele expulse de si mesmo tudo aquilo que de alguma forma o conduza para algum prejuízo. Podemos então, sem grandes problemas, compreendermos que tal qual os crentes, também estamos a lutar a todo o momento contra uma "força invisível". Mas interessante também é perceber que ainda que haja esta semelhança, há também uma inversão quanto sua forma externa. Enquanto que o cristão luta contra aquilo que lhe causa dor, o Satanista justamente luta contra aquilo que lhe impede o prazer!

Além disto, resta ainda uma lacuna a ser preenchida dentro do sistema religioso Satanista. Enquanto que outros religiosos concretizam a figura do mal, nós não temos nenhuma! O que só reafirma a importância da responsabilidade para o indivíduo, tal qual a imposição dogmática de que encontra-se ele ao centro de sua existência, sendo, ao mesmo tempo, réu, juiz, promotor e vítima.

Mas ora, como seria então conosco? Quem Satan expulsaria de nosso corpo, uma vez que nossos demônios enquanto símbolo, em princípio não denotam qualquer tipo de malefício? Naturalmente há infinitas possibilidades de respostas. Excessos, vícios, controle, abstinência, fé cega, etc, etc, etc. Mas bem que podia haver um anjo, um anti-deus, sei lá, qualquer símbolo, imagem, metáfora, personagem para representar o nosso "inimigo". O Satanista, a despeito da áurea de opositor, arruaceiro, crítico, rebelde, é o mocinho de uma história sem graça, que não possui um vilão.

Entretanto, estamos falando de vida, do vigor do ser, da potência do existir. E tornamos-nos então nesta história sem graça sem vilões não simples personagens, mas autores. Definimos quem são nossos vilões, qual o comportamento do mocinho, e se tudo sair direitinho, ainda conseguimos um belo par no final. E mais ainda, ainda poderam ser nossas histórias, ainda que já não nos reste a possibilidade da fala, lembradas e recontadas com respeito e afeto.

Edir Macedo e o espetáculo das doações

Escrito por Recanto do Opositor

Se você não vive alheio ao mundo e o que tem acontecido nele, nem banca o cultzinho que se recusa a ver nem que seja 15 minutos de Jornal Nacional com a família na sala, na hora da janta, com certeza está ciente das notícias do momento envolvendo, nada mais nada menos, que o todo poderoso da emissora de televisão Record. E mais do que isso, o imperador da IURD.

Este é um blog sobre Satanismo. Eu sei. Este não é um blog de notícias. Eu também sei. Mas diante de todo o circo que estamos presenciando gratuitamente, vai dizer que dá pra ficar sem um comentariozinho?!

Para quem ainda não está ciente da coisa, é mais ou menos assim: em nome do Senhor Jesus Cristo, o nosso caro Edir Macedo pede doações para que os fiéis por conta delas sejam abençoados pelo poder de Deus e consiga as graças necessárias para melhorarem suas vidas. Até aí tudo bem, legalmente falando, instituições religiosas podem perfeitamente pedir doações, desde que o dinheiro seja destinado à instituição em si, à sua manutenção, à sua expansão, às ações sociais para os mais necessitados, enfim. E bem, obviamente, como todos imaginam, o dinheirinho suado dos fiéis está muito longe dos altares; está no bolso do nosso tão querido bispo, que o utilizou em negócios privados, o que configura-se como lavagem de dinheiro.

Além deste escândalo criminoso, ainda tem a outra parte legal da história. Como disse, Edir Macedo é o dono da Record, e naturalmente, como boa concorrente, a Rede Globo não poderia deixar de cair dentro no ocorrido. Temos então uma campanha massiva de destaque ao querido bispo e suas estripulias financeiras, o que deixa a TV num climinha de guerra que a um bom tempo não víamos.

Disto tudo algumas coisas podem ser pensadas...

Por um lado, começam a ser divulgados diversos casos de pessoas que colocaram a IURD na justiça por conta das doações feitas e bênção não recebidas, o que faz com que de alguma forma se repense como é feita a coleta do dízimo. Bem como as denúncias específicas com relação ao bispo faz com que uma parcela significativa da credibilidade da IURD seja lançada ao chão. Talvez isto não tenha um impacto tão forte entre os próprios fiéis, o barulho maior com certeza será feito por quem está de fora, mas isto não impede que os primeiros se questionem com relação às suas "posturas dizimistas".

Mas por outro lado, há um grande problema. Quando temos alguém ou algo que se destaca, não adianta, as reações são sempre em excesso. Ou se ama, ou se odeia. E neste caso em específico não será diferente. Isto significa dizer que, não dificilmente, virá uma legião de fiéis dispostos a defender seu bispo e acusar a Globo de perseguição ou até mesmo de dizer que os promotores de acusação estão com o Diabo no corpo. Ou seja, independente de quem seja o inimigo, há um sentimento de "guerra" que já até está sendo instaurado, segundo alguns.

E as conseqüências disto?

O fanatismo aumenta, o fervor aumenta, a intolerância disfarçada ganha força, e por aí vai. Colocar a IURD e o bispo no papel de vítima só vai aumentar seu poder, e a massa evangélica que só tende a crescer aqui no Brasil vai ganhar mais um incentivo para manter seu ritmo.

Se Satan é popstar, agora o Edir Macedo, mais do que nunca, também é. E vai trazer consigo uma legião de fãs. Tenham certeza disto.

Satanás Popstar

Escrito por Tadeo

Corram, corram! Satanás vem aí!

E quando todos acham que "ele" estava derrotado e falido, eis que das cinzas as chamas infernais começam a purgar a mente dos mortais com força total!

Ok, a humanidade voltou a estagnação. O século XXI já chegou, o bug do milênio não destruiu a vida de ninguém e o homem já chegou na lua. Iuri Gargarin já disse: "Eu não vi Deus e a terra é azul" e a guerra fria já acabou. Corrida armamentista? Pff... Corrida tecnológica? Pff de novo. Acabamos de sair de uma era super agitada e a história está desacelerando o seu ritmo (e a crise financeira não é uma prova disso?).

Tá...Mas o quê isso tem a ver com satanismo? Bem, no momento absolutamente nada.

Satanás estava em desuso, era desnecessário. O mito do grande bode devorador de gente foi ofuscado aos pouquinhos pelo brilho da própria humanidade (a prova disso é João Paulo II e seu revisionismo sobre a 'forma' do diabo). Será que se eu dissesse pra Lavey que ele havia escolhido a época perfeita para fundar sua religião ele me diria que havia calculado tudo ou havia sido uma mera coincidência? O homem havia perdido a fé no Mau e conseqüentemente o medo, então tivemos o boom do satanismo no mundo. Nada mais óbvio.

Mas não temos os carros voadores dos Jetsons, não colonizamos a lua, não vivemos em uma matrix. Ou seja, não produzimos tão mais quanto produzíamos na era passada. O Neo-Escravismo industrial substituiu todos os ideais de liberdade, não temos mais nenhuma bela ideologia para lutar e o punk morreu.

Minha sábia avó já dizia, mente vazia é oficina do diabo.

Pois é, Satanás re-apareceu com força total meus amigos. Com a ascensão das religiões evangélicas a figura do grande bode, o chifrudo, o malévolo, o tinhoso, o coisa-ruim, o setepele , enfim, voltou para o imaginário coletivo como nunca antes. Os valores religiosos mais uma vez pisam em cima dos valores positivistas (movimento pendular da literatura universal, viu Vítor, eu também manjo das letras). O diabo mais uma vez está no palco, e dança para todos aqueles que querem ver.

Mas por que essa figura é tão necessária?

O maquiavelismo me ensinou que para unir um grupo são necessárias duas coisas: afinidade e um inimigo. Essa regra já é um clichê na política, porém se aplica em todos os setores da vida cotidiana. Quando se tem um inimigo, o líder pode sempre justificar seus atos e conduzir as ações do grupo.

E qual é o melhor inimigo para uma sociedade global descrente e carente?

Pois é amiguinhos, o chifrudão. Erraram feio quando disseram que deus está morto , ele está aqui e com força total. Temos uma emissora controlada por um grupo religioso e vários programas comprados por outros grupos, assim como inúmeras editoras e rádios, além até de empresas que geram fortunas para tais grupos. Entenderam a necessidade do retorno de Satã ao palco? Como seria possível para esses grupos crescerem como cresceram em tão pouco tempo? Aquele velho papo da salvação já está a muito tempo fora de moda, o medo das chamas infernais é que aqueceu a caldeira para movimentar essas engrenagens.

É uma época perigosa para o satanista. O radicalismo bate na porta novamente (quem já presenciou uma histeria religiosa coletiva sabe do que eu estou falando), e junto com ele a insanidade das pessoas. Não que eu esteja criticando a era em que vivemos, muito pelo contrário, a acho muito interessante, só estou dando um pequeno alerta: lembre-se, quanto mais o Diabo é famoso, mais o Satanista é mal visto.

Fiquem com Deus. Amém.

Satanismo e Anticristianismo: um bem longe do outro...

Escrito por Recanto do Opositor

Eu, como sempre, tento manter ao longo de todos os meus discursos a postura de não atacar, ofender, nem muito menos incentivar qualquer agressão a nenhuma outra religião. Isto não vem simplesmente de minha personalidade ou de meus pensamentos, esta é uma postura Satanista. Criticar, contestar sim. Mas sempre mantendo o respeito. Por motivos que até já comentei aqui. Em suma, eu não vou me colocar em tal pedestal a ponto de atestar para o próximo como se dará sua satisfação. Eu o respeito desde que não me cause qualquer revés, e ponto final. Assim como até mesmo uma crítica mais dura. Costumo dizer que precisamos conhecer aquilo que criticamos mais até do que aquilo com o que concordamos. É preciso conhecer cada minúcia de um determinado pensamento, para poder criticá-lo. Do contrário nada faremos senão atestarmos que não fomos capazes de encontrar as respostas para nossas perguntas que estavam simplesmente, dentro do próprio pensamento em si. É como ler um livro e contestar suas idéias sem tê-lo lido por completo.

Mas bem, o que ocorre é que, parece que muitos ou não entendem isso, ou não concordam e como sempre, os problemas de interpretação vêm à tona. E chegamos ao título do post...

Em certa discussão recente no Orkut, andei lendo sobre como o Satanismo poderia ser compreendido como uma religião essencialmente anticristã. Não o é. Em absoluto... De qualquer forma, dizia-se que por LaVey ter criticado ferrenhamente a Igreja, sua religião necessariamente seria então contra o cristianismo...

O que realmente procede é que, LaVey, antes de tudo, foi um grande contestador. Cabe também comentar o peso dos valores cristãos para a sociedade americana, bem como a grande contradição que existe entre o que se pensa e o que de fato se faz. LaVey reconheceu isto. E fez de sua crítica, não o fim de sua religião, mas apenas um meio, no que diz respeito à forma como estruturou seu discurso, para "convidar" o leitor, em sua Bíblia Satânica, a livrar-se daquilo que ele compreendia constituir algo que viria a negar a essência do humano, bem como os valores que promoviam a hipocrisia e iam contra as satisfações individuais.

Entretanto, é preciso compreender que a resposta dada por LaVey para tudo isto, não foi simplesmente uma inversão de valores cristãos. Ele, indo muito mais além do que isto, criou e organizou toda uma religião própria, com preceitos, princípios e dogmas específicos que a caracterizavam como tal. E que, como já comentei, definitivamente não se tratavam de pura inversão cristã.

"Mas ora, muitas das idéias de LaVey dizem respeito ao que o cristianismo toma como errado", poderia ser dito. E eu respondo: quer dizer então que tudo aquilo que não fizer parte dos preceitos morais cristãos é anticristão? Penso que definitivamente não. Cristianismo não é parâmetro para qualificar uma religião que não ele. Em diversas outras temos pontos que divergem, quando comparadas e nem por isso uma é "anti" a outra. Se o Satanismo possui idéias "não-cristãs", somos Satanistas, não anticristãos, anticristos, ou anticristianismo...

Outro ponto, interessante até, que foi colocado na discussão, foi a noção da oposição de Satan. Este, como já deve ser sabido por Satanistas não leigos, caracteriza-se por determinados predicativos. É o tentador, o acusador, o adversário, o opositor. Cada um destes adjetivos traz consigo uma determinada semelhança semântica. Diz respeito à postura que adotamos com relação a algo. O primeiro (tentador) diz daquilo que nos motiva a experimentar o "proibido," e os outros dizem de não aceitarmos o que não nos é aprazível. E bem, o que foi colocado no debate era justamente o fato de que, a oposição satanista, seria uma oposição cristã, logo, seríamos anti-cristãos, nós os Satanistas...

Duas incoerências. A primeira, diz respeito a uma nuance de significado. O prefixo "anti" é mais do que uma oposição. Ele pressupõe uma ação contra. Algo que é anti o outro, necessariamente age contra o outro. Basta pensarmos no nosso léxico... Antialérgico, antibiótico, anticoncepcional... Todas essas palavras dizem respeito a um "combate", a um "ataque", a algo que evita, que impede. Agir, agir e agir. Este é o ponto. E bem, o Satanismo não age contra ninguém. Podemos não acatar determinadas idéias, bem como qualquer postura de pensamento humano, que define o que é válido ou não para si. Agora, atuar contra, definitivamente não. Se há indivíduos que assim agem, são imbecis, não Satanistas. Satanismo não é intolerância. Isto é para fracos que na ausência de algo válido e produtivo para apoiarem-se, tratam de prejudicar os outros.

A outra incoerência, diz respeito ao que representa a noção de opositor para o Satanismo. Ora, ainda que a crítica inicial por parte de LaVey tenha sido direcionada ao cristianismo, a oposição satanista transcende tal limitação. Quero dizer que, no Satanismo temos a contestação, a crítica, a não aceitação, a oposição a tudo aquilo que de certa forma implique na não satisfação do indivíduo. E ora, existem infinitas coisas que se colocam em nossa vida e que podem vir a nos prejudicar. Simplesmente, como bons seres humanos, nos opomos a todas. E isto não diz respeito a cristianismo, ou qualquer outro "ismo". É algo mais geral, mais além. Temos uma oposição, não uma oposição cristã. Esta é a grande diferença.

Em suma, digo-lhes que a crítica de LaVey nada mais é senão uma tentativa de abrir os olhos para as contradições que temos à nossa frente para podermos então passar a enxergar mais longe algo novo. Não é uma tentativa de ver o contrário das coisas e a partir deste agir. É reconhecer problemas e propor soluções. Não é agir contra ou ainda promover inversão de valores, mas sim transformá-los, sob a ótica do indivíduo. Anticristianismo é como percorrer um circuito oval, só que na contramão de todos. Satanismo é lançar-se numa estrada, tendo como limite apenas um horizonte de possibilidades.

Ateus, Satanismo e a Igreja

Escrito por Recanto do Opositor

Bem, comentaram no post anterior sobre o ateu-star Richard Dawkins. Rsrs...

Eu não o critico. Eu apenas brinco com sua imagem de extremista, bem como a cegueira de seus seguidores. É complicado, as coisas interessantes geralmente acabam caindo no mesmo problema. O que é acessível demais acaba se tornando lugar comum. E muitas vezes o que há de ruim não é o tema, o assunto, ou o pensamento em si, mas seus seguidores, difusores e defensores.

Isto aconteceu com o cinema "cult", com o ateísmo, com o Satanismo, com a filosofia... Não adianta, certas coisas não deviam ganhar o título de pop. E é justamente sobre um determinado pop que venho falar...

De início, nem preciso falar da ascensão do ateísmo ao longo das últimas décadas. Basta olha para o hoje, para o meio virtual principalmente, o grande veículo de comunicação onde este pensamento se espalha. Eu não tenho nada contra os ateus, não mesmo. Acho até que o ateísmo é muito mais válido do que outras religiões. A despeito da massa imbecil "oi sou ateu", não se pode desprezar certo fundo crítico presente. Entretanto, é como falei, tudo acaba caindo na boca do povo. E isto não é legal.

Digo isto pois o que tenho visto é uma mudança do discurso ateísta, para o discurso anti-religioso ou anticristão. Ou seja, não se questiona a existência de deus, suas implicações, motivações filosóficas, referências históricas, enfim, não se faz isso, apenas se diz "a religião é uma forma de controle" ou "a igreja é isso ou aquilo". É um show de ataques, bem como ofensas aos cristãos, padres, igrejas, enfim. E o que isto tem a ver com o Satanismo? Tudo.

Um dos principais questionamentos iniciais, por parte dos Satanistas, bem como dos pseudo-satanistas, é duvidar da existência divina. Então, ele vai em fóruns ateus, visita o ateus.net (brilhante site por sinal), e pronto, temos um ateu formado. Ele vai falar mal da igreja sempre que possível. Bem, este mesmo ateu, sabe-se lá por qual motivo, vai acabar conhecendo o Satanismo. E bem, como todo bom leigo, não vai compreender a noção de respeito e de tolerância que há por trás da ideologia Satanista. Virão então as piadinhas com Jesus, e os jargões contra cristãos...

É um câncer que aumenta a cada dia. Igreja isso, igreja aquilo. Deixem a Igreja e o cristianismo em paz! Ora, perdemos tempo para falar mal daquilo que já discordamos! Senão acato idéias cristãs, eu não preciso fazer desta minha não aceitação a base do meu discurso! Eu vou buscar desenvolver as idéias daquilo que acredito! Como costumo dizer, vamos falar de Satanismo e não de cristianismo.Deixemos que os ateus façam isso, eles nada têm a perder. Ateísmo não é religião, eles não precisam ir muito além, senão manterem-se em sua descrença. Mas nós, Satanistas, temos um vasto campo de idéias, dogmas, conceitos, enfim, tudo o que faz parte de nossa religião a ser discutido. Não estou desmerecendo o ateísmo, de forma alguma. O que quero dizer é que é muito mais proveitoso para o Satanista, falar de Satanismo e não da Igreja, das cruzadas, da inquisição, ou qualquer clichê desses que a gente vê por aí.

Alguns às vezes se assustam e dizem que estou a defender a Igreja. Eu não a defendo, eu simplesmente não a julgo. Ou melhor, eu não torno meu julgamento público. Julguei sim, quando discordei de suas idéias e optei por um outro caminho. Ponto. Hoje, eu torno público o que o Satanismo me diz.

Se um indivíduo satisfaz-se de determinada forma, sem que com tal prejudique outrem, não devemos julgá-lo, ou ainda ter a presunção de determinar o que é bom ou ruim para ele. Este foi o erro de muitas religiões e isto não pode ocorrer com uma tão libertária e tolerante quanto o Satanismo.