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"Não subestime o desprezo absoluto das pessoas. Tornar-se um pária não é fácil. As pessoas acreditam que o diabo é Satan. Ignoram que o mundo é muito mais antigo que o cristianismo. Tudo para essas pessoas ignorantes é coisa do “diabo”. E julgam, recriminam e segregam. Ainda que isso seja um pecado diante de Deus. Porém, estranhamente é exatamente esse comportamento hipócrita e preconceituoso que a Igreja incentiva. É tudo tão absurdo. E afinal o que são os pecados? É uma maneira de controle do ser humano, de condená-lo, de inserir culpa pelos seus desejos naturais, de submetê-lo, de castrar seus pensamentos. É tudo tão ridículo."

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Precisamos de dogmas?

Escrito por Recanto do Opositor

Com o passar do tempo, o desenvolvimento dos estudos e a formação de um espírito crítico realmente atuante, ocorre um fenômeno que é comum a muitas pessoas. Considera-se este como a porta de entrada para o Satanismo. Alguém começa a se questionar com relação aos valores vigentes, às práticas impostas por Igrejas e outras instituições religiosas, assim como estas mesmas não-práticas, que denotam justamente o distanciamento entre o que se pretende e o que de fato se faz. A história deste alguém todos já sabemos. Tendo acesso a internet ele entrará em sites com material suficiente para se ter uma idéia do que é Satanismo e quem sabe até lerá a Bíblia Satânica...

Toda aquela história de liberdade de escolha, de auto-deificação, de auto-conhecimento, etc., saltará a seus olhos. Tudo fará muito sentido, a crítica com relação ao cristianismo será compreendida e a parte relacionada a magia começa a interessá-lo, por toda a áurea puramente estética que temos em um primeiro momento. Mas há algo que ainda permanece não muito bem digerido... Se Satanismo prega a liberdade e o conhecimento para tornar as ações melhores o possível, por qual motivo então este mesmo Satanismo nos fornece dogmas?

LaVey na própria BS já trata da questão, de forma discreta. Ele considera que tanto o dogma quanto o ritual são meios, que só podem ser propostos pela religião, e que têm por fim trazerem à tona uma faceta emocional do ser humano. Ou seja, é através de uma emocionalização através destes que nossas ações serão melhoradas, desenvolvidas. E vai até mais além, trata-se de um espaço que deve ser preenchido. Parte a BS do pressuposto que o ser humano não é simplesmente razão pura, chegando até mesmo a citar a psiquiatria, uma vez que esta, ainda que tenha trazido grandes conhecimentos e descobertas, retirou do humano com suas explicações o "maravilhoso e a fantasia". O que tem bastante a ver aliás, com o que já comentei por aqui no que diz respeito ao cientificismo...

Temos então a primeira resposta à pergunta. O dogma constitui-se como um elo "sentimentalizado" entre o indivíduo e um determinado conceito, que, sendo este Satânico, não vai contra sua natureza. Em outras palavras, segundo a própria BS (Versão Portuguesa): "Não há nada de errado com o dogma, desde que não se baseie em idéias e acções que vão completamente contra a natureza humana."

Mas podemos ir um pouco mais além.

Tivemos até agora uma justificativa para a existência do dogma dentro de nossa religião. Mas, o que é esse tal de dogma? Esta é a primeira questão, e que por si já demonstra uma das peculiaridade do Satanismo, face a outras religiões, ao menos as mais conhecidas.

Em qualquer dicionário ou enciclopédia teremos uma definição de dogma inicialmente religiosa. Tem-se por este um princípio máximo, um ponto fundamental dentro de um sistema religioso ou de outra natureza. Ora, esta simples colocação já nos faz compreender que não somente nas religiões eles se encontram. Entender isto é o primeiro passo para deixar de lado aquela carga pesada que se encontra por trás do nome. Um exemplo disto é como quando se esta a discutir com um ateu, por exemplo, e é dito que o Satanismo possui dogmas. Ele com certeza virá com o mesmo discurso de sempre "oh, nossa, como você é limitado por ter de seguir regras!" Todo sistema possui regras, fundamentos, portanto, o dogma por si, a princípio, não bitola as liberdades, apenas as organiza.

O próprio pensar humano por si é um conjunto de organizações, categorizações, determinação de padrões. Isto vai desde aspectos cognitivos que se concretizam a partir de nossa linguagem até as nossas ações enquanto indivíduos dentro de uma determinada organização social. E são estas últimas que nos interessam por agora.

Se o indivíduo encontra-se como meio e fim primeiros de todas as suas ações, é plenamente compreensível que este passe a criar para si um conjunto de conhecimento que diga respeito especificamente a estas. Isto significa dizer que todo ser humano inexoravelmente possui em sua consciência um agrupado de conceitos/idéias/fundamentos que determinam o seu agir, formado através da transmissão e da apreensão empírica de valores sociais; independente de qual seja a cultura, de quais sejam seus valores e de qual seja o momento histórico.

O grande problema encontra-se não mais na existência destes conceitos/idéias/fundamentos, mas sim em sua titulação. Aí então reside a aversão a "dogma". Não se questiona, e nem o poderia, o fato, explicitado anteriormente, de que todo ser humano condiciona suas ações a partir de determinados pontos. O grande problema é darmos um nome ao conjunto. Para o indivíduo moderno que se considera livre no que diz respeito à sua formação, especificar um "rótulo" é uma afronta às suas possibilidades de escolha, ou ainda de sua "originalidade". Este nunca que aceitaria para si o fato de possuir um sistema de princípios nomeados Satanistas que pressupõem suas ações, ou ainda qualquer outro título de tal natureza.

Mas ora, podemos fazer dois comentários sobre isto. O primeiro, retomando as idéias de LaVey, seria: por qual motivo não haveríamos de aceitar algo que fosse considerado por nós benéfico? Por qual motivo deixaríamos de lado, ainda que tivesse um nome ou título, algo que nos "ajudaria" a pensar em nossas ações e concretizá-las, nos trazendo assim algum tipo de satisfação? Não faz sentido nos recusarmos a isto. Constituir-se-ia o dogma Satanista apenas como um princípio, organizado dentro de um sistema religioso, do qual partiríamos em nossas ações. A não aceitação destes deve se fazer, não por simplesmente possuírem um rótulo, mas sim, por discordarmos dele. O dizer Satanista é: privo-me de tal coisa pelo que esta é, e não por seu nome.

Além do mais, tratar o dogma Satanista como um elemento que satisfizesse todo o conjunto de valores que cada indivíduo possui é elevar a religião a um nível inexistente. Nem o Satanismo, nem qualquer outra religião é capaz de preencher todas os espaços de nosso pensamento. Ele é apenas mais um dos diversos grupos de conceitos que se encontram em nossa mente, e na de qualquer outra pessoa. Portanto não se poderia falar em qualquer tipo de limitação, uma vez que nem mesmo o próprio Satanismo se propõe a isto. Há uma infinitude de possibilidades, tanto de conhecimentos quanto de experienciações que vão se colocar junto aos dogmas Satanistas e nos formar enquanto indivíduos, bem como nos manter em constante movimento.

Não somente compreende-se não serem talhadas nossa liberdade, como também, ao aceitarmos um nome para alguns de nossos dogmas, reconhecemos onde de fato estes se encontram. Diferentemente de muitos, que ao partirem do discurso "sou livre e opto por aquilo que desejo sem me prender a rótulos", acabam justamente por não conseguirem reconhecer o quão determinados estes são justamente pelos conjuntos de idéias aos quais não quiseram dar nomes. No vislumbramento com relação à forma do produto que são, acabam por não apontar os olhos às máquinas que o construíram.

Há ainda algo mais que se associa ao que se entende por dogma. Trata-se de sua incontestabilidade. Poder-se-ia dizer: ok, compreendo que todos possuímos um conjunto de valores que determinam nossos atos e que o Satanismo oferece apenas mais alguns destes, mas, sendo estes nomeadamente dogmas, por qual motivo não os questionaríamos?

Ora, e quem disse que não pode?

Se o Satanismo é a religião do eu, da escolha individual, e da liberdade de pensamento, como poderia ser algo, dentro do próprio sistema religioso incontestável? Não faz sentido. Mas, se o dogma por definição é incontestável, temos então uma contradição! E eu lhes digo, sim!

Talvez se Chico Xavier estivesse vivo, quem sabe pudéssemos nos comunicar com o espírito de LaVey e perguntá-lo o motivo pelo qual ele utilizou tal termo na BS. Mas não o podemos fazer. É uma questão de interpretação. A meu ver, a utilização justifica-se primeiro pelo fato de o Satanismo ter querido se estabelecer formalmente como uma religião; o que torna válido o uso de um termo religioso. Penso que também buscou-se justamente uma contradição, ao colocar o dogma incontestável e a liberdade Satanista. Eis a tal peculiaridade anteriormente citada. Ou, mais simples ainda, a incontestabilidade por definição do dogma foi deixada de lado e simplesmente compreende-se este como um fundamento de um sistema, como já dito.

Não se pode afirmar nada, mas considero que a BS foi bem feliz ao escolher pelo dogma, uma vez que não há qualquer problema ou incoerência dentro do sistema religioso Satanista, nem com a liberdade individual, como tentei mostrar. Cabe agora a cada um buscar as respostas em si mesmo. Cada um é independente para acreditar ou não se há uma gaiola a prendê-lo. A meu ver, ela nunca existiu, mas sim, desenvolveu-se um temor por sua causa justamente por não compreenderem que a liberdade ou a sua ausência encontra-se dentro de nós, e não em muros invisíveis.

2 Comments

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    Comment by William

    Digno. Este me lembrou de qundo eu conhecio o satanismo.. ;P
    Você acha que o fato de o satanismo, mesmo pregando o contrário, causar um sentimento de "rótulo" inicialmente pode se comparar a um dogma? Este tem sido um grande questionamento para mim, até que ponto o fato de ser satanista mesmo não falando isso a ninguém, não se torna uma forma de autorótulo (neologismo sic)? enfim, muito pessoal...
    Outra coisa que percebo é como estes comentários se tornaram restritos.. será que ninguém mais lê seus textos ou só não tem vontade de comentar?

    Ah! gostei do link "o que já comentei"... bem pensado.

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    Comment by yogHman

    questões exo e esotéricas a parte, por mais que apareçam as pavonices laveynianas, o cara desenvolveu um sistema mastítico básico, mas eficiente.